Codinome “Chico Anísio”: Empresário que recebeu homenagem de Vereador Riverton era elo da “Corrupção” entre família Jafar e Editora Avante

Vagas no SUS por compra de livros: Gaeco detalha esquema milionário liderado por empresário em MS

Operação Gutenberg desarticula organização criminosa que utilizava a regulação estadual de saúde para extorquir prefeituras no interior do estado.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou os bastidores de um esquema criminoso que chantageava prefeituras de Mato Grosso do Sul, condicionando o acesso a vagas no sistema de saúde público à compra de livros paradidáticos. No centro das investigações da Operação Gutenberg está o empresário campo-grandense Francisco Anizio dos Santos, apontado como um dos líderes da organização. A operação já resultou na decretação de 16 prisões preventivas, com um suspeito ainda foragido.

A teia financeira e a Editora Avante
De acordo com o inquérito, Francisco Anizio atuava como o elo operacional e financeiro entre a família Jafar e a Editora Avante. As investigações mostram que o empresário mantinha uma relação estreita com Rossana Jafar, proprietária da Gráfica Alvorada, e com Rhayane Souza Fanaia, nora de Rossana e apontada como “laranja” da editora.

Rhayane frequentemente solicitava autorização a Anizio para realizar movimentações financeiras, evidenciando que ele possuía acesso e controle direto sobre as contas bancárias da empresa. O Gaeco destaca a “intensa comunicação e articulação” do grupo para pulverizar os recursos tão logo os pagamentos públicos eram efetuados.

Além de Anizio e Rossana, o esquema contava com a liderança de Heyder Bartz, empresário do ramo de marketing digital. Segundo os promotores, o grupo é acusado de:

Fraude em licitações;

Lavagem de capitais;

Associação criminosa.

Extorsão na Saúde Pública e ameaças na “Vaga Zero”
O desdobramento mais grave da investigação envolve a infiltração do grupo na Secretaria Estadual de Saúde. A venda dos livros da Editora Avante, comercializados sem licitação sob o pretexto de conteúdo voltado à educação e saúde, contou com a intermediação do advogado Gabriel Taquino de Paula a partir de 2022.

Para garantir o sucesso das vendas milionárias aos municípios, Taquino aliou-se a Ed Carlos Brito Burgatt, então coordenador Estadual de Regulação Assistencial. Mensagens de celular interceptadas pelo Gaeco revelam a negociação explícita de propinas. Em um diálogo sobre uma venda para a prefeitura de Caarapó, avaliada em R$ 2 milhões, Taquino comemora que a comissão de 5% renderia R$ 100 mil a Ed Carlos.

No entanto, o esquema ultrapassou o pagamento de subornos. Valendo-se do cargo, o então chefe da regulação passou a chantagear as prefeituras: o encaminhamento de cirurgias, exames e transferências de pacientes só seria liberado se o município assinasse os contratos com a Editora Avante.

Em uma das mensagens direcionadas a um município que sofria pressão para comprar os materiais, o ex-coordenador ameaçou de forma taxativa:

“Senão vai morrer todo mundo.”

O temor de perder pacientes graves que aguardavam a liberação da chamada “vaga zero” forçava prefeitos de diversas cidades a cederem à extorsão e assinarem os contratos.

Perfil do investigado
Identificado como peça-chave e operador financeiro, Francisco Anizio é proprietário de três empresas em Campo Grande: Movi Rent a Car Locação de Veículos, 7 Irmãos Engenharia e Serviços, e Centro Automotivo Sul.

Antes de se tornar alvo da Operação Gutenberg, o empresário gozava de prestígio político. Em agosto de 2025, Anizio foi homenageado com o título de Cidadão Campo-grandense, honraria concedida pela Câmara Municipal a partir de uma indicação do vereador Riverton Francisco de Souza (PP).

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