Na corrida eleitoral para o Senado por Mato Grosso do Sul em 2026, o cenário dentro do PL-MS revela uma hierarquia clara, confirmada por pesquisas confiáveis. O ex-governador Reinaldo Azambuja lidera as intenções de voto, seguido de perto pelo ex-deputado estadual Capitão Contar (Renan Contar). Levantamentos como os do Novo Ibrape e do Instituto Ranking Brasil Inteligência mostram Azambuja à frente, com Contar disputando a segunda vaga de forma competitiva, enquanto outros nomes do partido — incluindo Marcos Pollon — aparecem muito atrás, muitas vezes entre 2% e 6% nas pesquisas espontâneas ou estimuladas.
Nessa dinâmica, o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) se posiciona como o terceiro elemento desajustado: o rei (Azambuja, com experiência de gestão e base consolidada), o príncipe (Capitão Contar, com imagem de militar combativo e boa penetração entre eleitores conservadores) e o bobo da corte (Pollon), que insiste em fazer barulho, mas não consegue traduzir protagonismo em votos reais.
Pesquisas recentes o deixam distante da briga pela vaga, atrás até de nomes de outras legendas. Enquanto Azambuja e Contar surgem como opções viáveis e com lastro, Pollon representa mais uma divisão interna do que uma alternativa competitiva. Flávio Bolsonaro já sinalizou que uma vaga está praticamente reservada a Azambuja, restando a segunda para ser definida pelos números — e, até agora, os números não favorecem o deputado federal.
O problema de Pollon vai além das baixas intenções de voto. Seu mandato tem sido marcado por polêmicas que questionam seu equilíbrio e decoro parlamentar. Ele protagonizou a ocupação da Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2025, ato que paralisou os trabalhos e gerou representações por quebra de decoro. O Conselho de Ética da Câmara já analisou o caso, com relatores recomendando suspensão do mandato por dois ou até três meses, tanto pela obstrução quanto por declarações consideradas difamatórias contra o então presidente da Casa, Hugo Motta. Em uma das sessões do Conselho, Pollon passou mal, alegou uma condição neurológica específica (chegando a mencionar autismo em contextos anteriores para justificar suas ações) e reclamou de hiperestimulação. Esse tipo de comportamento errático, que mistura confronto radical com justificativas pessoais, transmite instabilidade. Um desequilíbrio assim não apenas desgasta sua imagem pública, como pode, de fato, afastá-lo do mandato se as punições forem confirmadas.
Em resumo, enquanto o rei e o príncipe consolidam suas posições com experiência, reconhecimento e dados eleitorais favoráveis, o bobo da corte insiste em performances que divertem poucos, constrangem muitos e não conquistam o eleitorado sul-mato-grossense. Marcos Pollon pode até contar com o afeto retórico de Bolsonaro, mas, na prática, sua pré-candidatura parece mais um espetáculo de corte do que uma candidatura séria ao Senado. O bobo da corte faz graça, agita o plenário, mas, no fim, quem decide o trono são os números — e eles não estão indo com ele.









