Na tarde desta terça-feira (24), Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, matou um homem com disparos de arma de fogo dentro de um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, no Bairro Jardim dos Estados, onde ele já residiu.
De acordo com apuração do Campo Grande News, a vítima, Roberto Carlos Mazini, de 61 anos, chegava ao local acompanhada de um chaveiro para abrir a casa. Ele havia arrematado o imóvel em um leilão e pretendia tomar posse do bem. Bernal, que não aceitava a negociação, acabou atirando contra o homem.
Testemunhas relataram que, logo após o crime, o ex-prefeito fugiu, mas se apresentou pouco tempo depois na 1ª Delegacia de Polícia, localizada na Rua Padre João Crippa.
O imóvel, construído em um terreno de 1.440 m² e com 678 m² de área edificada, foi avaliado em R$ 3,7 milhões. Ele foi levado a leilão em 2025 devido a dívidas, com lance inicial de R$ 2,4 milhões.

Trajetória política e polêmicas
Alcides Bernal exerceu dois mandatos como vereador em Campo Grande e, em 2010, foi eleito deputado estadual. Em 2012, venceu a disputa pela prefeitura da capital no segundo turno, com 62,55% dos votos válidos.
À frente do Executivo municipal, sua gestão foi marcada por intensos conflitos políticos. Ele foi cassado pela Câmara Municipal sob acusação de nove crimes político-administrativos, tornando-se o único prefeito destituído do cargo na história da cidade. Em 2014, uma liminar da Justiça suspendeu a decisão, possibilitando seu retorno, mas horas depois o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul reverteu o entendimento. Em 2015, ele reassumiu o cargo por força de uma nova decisão judicial.
Em 2016, tentou a reeleição, mas ficou a 2.630 votos de avançar ao segundo turno. Na etapa final daquele pleito, declarou apoio a Marquinhos Trad, que acabou eleito.
Ao longo de sua trajetória pública, Bernal também se envolveu em outros episódios controversos. Em 2012, o diretor do Google Brasil foi preso pela Polícia Federal após a empresa se recusar a retirar do YouTube vídeos com acusações contra ele. Além disso, respondeu a processos por não pagamento de pensão alimentícia e foi citado pela ONG Transparência Brasil como um dos parlamentares com maior número de projetos considerados de baixa relevância.








