Nova direita, novo partido, nova Cassy: A mudança que todo mundo já percebeu.

A passagem do deputado federal Nikolas Ferreira por Campo Grande movimentou os bastidores da direita sul-mato-grossense, mas não exatamente pela aproximação com lideranças do próprio Partido Liberal. Quem realmente comandou as engrenagens nos bastidores foi Cassy Monteiro — a articuladora que, cada vez mais, parece estar construindo pontes paralelas ao Partido Liberal.
Nikolas desembarcou na Capital, cumpriu agenda no Instituto Mirim e depois participou de um encontro privado no luxuoso Hotel Deville. O custo estimado para trazer o deputado girou em torno de R$ 100 mil reais e aproximadamente R$1000 mil para ter acesso ao evento exclusivo. Até aí, tudo dentro do script, o problema — ou a revelação — veio depois.
Durante a passagem de Nikolas, quem esteve ao lado do deputado mineiro, organizando encontros, gravando conteúdos e ditando quem podia ou não se aproximar, foi justamente Cassy Monteiro. A mesma Cassy que, dias antes, havia sido apontada como responsável por tentar censurar jornalistas durante a agenda do parlamentar. A mesma Cassy que controla o acesso, filtra perguntas e trata a imprensa como ameaça. Pois essa mesma Cassy agora aparece colada em Nikolas ao lado de Gislaine Brito e Charles Gama — ambos pré-candidatos do Partido Novo.
O cenário, para quem conhece os bastidores, é no mínimo curioso. Cassy Monteiro, conhecida por sua proximidade com lideranças bolsonaristas em Mato Grosso do Sul, parece estar jogando em duas frentes. Enquanto o PL local tenta, desesperadamente, entender por que um de seus maiores nomes nacionais ignorou completamente os aliados da própria legenda, Cassy caminha sorridente ao lado dos adversários — aqueles mesmos do Partido Novo, que faz oposição direta ao governo apoiado pelo PL e pela família Bolsonaro no estado.
Os mais atentos já começam a levantar uma suspeita incômoda: não estaria Cassy Monteiro ensaiando seus passos rumo ao Partido Novo? Afinal, a articuladora que antes servia ao bolsonarismo raiz agora parece ter descoberto um novo endereço mais aconchegante — onde o acesso a nomes como Nikolas Ferreira custa caro, mas o retorno político pode ser ainda maior. E não é que o caldo engrossa? Recentemente, Romeu Zema, principal nome do Novo, criticou publicamente Flávio Bolsonaro. O atrito entre as duas alas da direita é cada vez mais explícito. E Cassy, esperta como ela só, parece estar lendo as placas da rodovia antes dos outros.
Enquanto parlamentares do PL em Mato Grosso do Sul relatam incômodo com a ausência de espaço para a própria legenda, Cassy Monteiro aparece em todas as fotos, ao lado dos pré-candidatos do Novo, gravando vídeos com Nikolas, organizando encontros exclusivos e, de quebra, tratando a imprensa como se estivesse numa ditadura de quinta categoria.
A pergunta que não quer calar: até quando Cassy vai dançar no salão do PL enquanto ensaia os primeiros passos em direção à pista do Novo? Pelo jeito que a banda toca, não deve demorar muito para a ficha cair — e o partido.
Nos bastidores da direita sul-mato-grossense, a leitura é única: Cassy Monteiro já não age mais como aliada do PL. Age como quem está construindo o próprio palanque, escolhendo as próprias peças e, quem sabe, assinando o contrato de filiação com um novo endereço partidário em breve. Resta saber se alguém no PL terá coragem de perguntar a ela diretamente — ou se vão continuar assistindo, de longe, enquanto a articuladora troca de legenda com a mesma facilidade que troca de assessor de imprensa.









