Operação Gutenberg apura suspeitas de direcionamento de contratos públicos para fornecimento de livros paradidáticos que, segundo o Ministério Público, movimentaram cerca de R$ 27 milhões.
A ex-deputada federal e ex-candidata à Prefeitura de Campo Grande nas eleições de 2024, Rose Modesto, passou a ter o nome mencionado nos autos da Operação Gutenberg após aparecer em uma conversa de WhatsApp analisada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o relatório da investigação, a referência ocorre em um diálogo envolvendo Felipe Paroschi Jafar, um dos investigados no caso, que afirma ter recebido de Rose o contato de uma interlocutora identificada apenas como “Rita”, para tratar de um possível orçamento de materiais da Editora Avante.
A conversa foi incorporada aos autos como um dos elementos analisados pelos investigadores durante a apuração do suposto esquema que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões em contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos.
Até o momento, o relatório não atribui responsabilidade criminal à ex-deputada em razão desse diálogo. O documento limita-se a reproduzir a conversa e inseri-la no contexto das diligências realizadas pelo Gaeco.
De acordo com a investigação, a Editora Avante integra o núcleo empresarial sob apuração e teria celebrado contratos com diversos municípios sul-mato-grossenses. Os investigadores buscam reconstruir a rede de contatos utilizada para a comercialização dos materiais e identificar como ocorreram as aproximações entre representantes da empresa e agentes públicos ou pessoas com influência política.
É nesse contexto que surge a menção ao nome de Rose Modesto.
Conforme o diálogo reproduzido no relatório, Felipe Jafar relata que a então ex-deputada teria lhe encaminhado o contato de “Rita” para tratar de um possível orçamento relacionado aos materiais comercializados pela Editora Avante.
Os investigadores registraram a conversa como parte do conjunto probatório destinado a compreender a atuação da organização investigada e o relacionamento entre seus integrantes e terceiros.
Até o momento, entretanto, não há, nesse trecho do relatório, imputação de crime contra Rose Modesto, nem indicação de que o simples encaminhamento do contato configure participação no suposto esquema investigado.
A Operação Gutenberg segue em andamento e busca esclarecer a dinâmica dos contratos públicos celebrados para aquisição de livros paradidáticos, bem como a atuação dos diversos investigados e pessoas mencionadas ao longo das apurações.
Rose Modesto, assim como todas as pessoas citadas na investigação, tem direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.









