A política é uma arena implacável, e o deputado estadual João Henrique Catan (PL-MS) acaba de aprender essa lição da pior maneira possível. No mundo das alianças fisiológicas e do bolsonarismo de ocasião, ser ignorado é muitas vezes mais humilhante do que ser atacado. E Catan, que construiu seu mandato à sombra da família Bolsonaro, viveu o auge do constrangimento ao ser completamente obliterado das anotações eleitorais de Flávio Bolsonaro e, subsequentemente, da carta de apoio do ex-presidente divulgada no último sábado (28).
O episódio é digno de uma comédia política amarga. Enquanto o capitão reformado anotava meticulosamente os nomes que interessam — como o popularíssimo “Capitão Contar” (que dispensa sobrenomes, tamanha sua força nas pesquisas), o ex-governador Reinaldo Azambuja e até mesmo os cotados para desistência, Gianni Nogueira e Marcos Pollon —, o nome de João Henrique Catan simplesmente não existia. Nem como lembrança, nem como rasura. Um vazio absoluto.
A pá de cal veio no fim de semana, com a tal carta de Jair Bolsonaro, entregue à esposa e publicada nas redes sociais, ungindo Marcos Pollon como o candidato ao Senado no Mato Grosso do Sul. Para Catan, que certamente aguardava um aceno, o recado foi claro: na fila do bolsonarismo, ele estava atrás de Pollon, de Azambuja e até mesmo de quem está “negociando desistência”. Ficou com a famosa “cara de bunda” — aquela expressão de quem esperava um abraço e levou um porta na cara.
Agora, resta a João Henrique Catan digerir o óbvio: seu mandato, construído mais na expectativa do que na entrega, já havia sido esquecido pelos eleitores sul-mato-grossenses muito antes de ser ignorado pelos Bolsonaro. Sem a muleta do clã e com a reeleição no horizonte, a “cara de bunda” pode ser apenas o prenúncio de uma derrota ainda mais constrangedora nas urnas. Afinal, na política, não basta ser lembrado para ser esquecido; o pior é ser esquecido mesmo estando presente.









