Propinoduto da AEGEA: Chefe do Clã Trad no Olho do Furacão

A capital sul-mato-grossense, segundo relato de Amadeo aos procuradores, a Aegea “recebeu pressão” de João Amorim, em nome do grupo político do então prefeito.

A cobrança seria para fazer pagamentos destinados a formar caixa para a campanha do sucessor à prefeitura, em 2012, e, depois, para a disputa ao governo do Estado, em 2014.

O prefeito de Campo Grande à época era Nelson Trad Filho, então no PMDB (atual MDB). Trad Filho (PSD) atualmente é senador.

Amorim é um empresário de Campo Grande, que chegou a ser preso na operação Lama Asfáltica, deflagrada pela Polícia Federal em 2015, com foco na corrupção de obras públicas em MS. Valor do acerto, segundo Amadeo: R$ 30 milhões até 2015.

Para viabilizar os pagamentos, a Aegea terceirizava a fraude. O ex-consultor Carlos Antonio Bernert disse aos procuradores que elaborou oito contratos fictícios entre 2011 e 2015, totalizando R$ 30 milhões em que simulava a locação de
equipamentos junto às empresas Proteco e ASE, ambas de João Amorim. Pela comodidade de emprestar notas de suas empresas, Amorim ficava com 25% do acerto, segundo os delatores.

Mesmo assim, houve tumulto e contratempos. O PMDB lançou Edson Girotto como candidato a prefeito e ele perdeu a eleição para o azarão Alcides Bernal. Bernal foi afastado depois, sendo substituído pelo vice Gilmar Olarte.

O caixa dois da Aegea era ecumênico, segundo os delatores. Hamilton Amadeo contou aos investigadores que autorizou o pagamento de R$ 3 milhões para quitar dívidas de campanha do então vice-prefeito Gilmar Olarte.

O CEO da Aegea contou ter atendido a um pedido para liberar R$ 4 milhões, em 2015, para uma caixinha de campanha de Bernal.

Amadeo contou que entregou a Bernal a chave de um Fiat Uno onde estavam guardados pacotes de dinheiro. Segundo o ex-CEO, a entrega da propina ocorreu em uma casa na avenida Calógeras, no centro de Campo Grande.

Amadeo entregou aos procuradores o endereço do apartamento, a data do encontro (13 de junho de 2015) e detalhes como o prefixo da aeronave em que viajou.

Os pagamentos foram posteriormente viabilizados por meio da emissão de notas fiscais fraudulentas, referentes a serviços não prestados, pelas empresas Equipe Engenharia Ltda. e HL Construtora Ltda, segundo o delator.

Procurado, o senador afirmou que ignora o conteúdo da colaboração de Hamilton Amadeo. “Não sou investigado no STJ, tampouco há qualquer procedimento conduzido pela PGR envolvendo meu nome em relação às declarações mencionadas”, disse ao UOL. (leia mais aqui).

Outro ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, disse que os dirigentes da Aegea comportavam-se como seus adversários políticos e mentem na delação: “Esse pessoal sempre foi contra mim. Nunca recebi um centavo desse povo”.

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