O Neto que Quer Repetir a História: Catan e o Fardo Político de um Sobrenome Marcado por Corrupção

Ex-governador condenado por corrupção eleitoral e demitido do DNIT por irregularidades, Marcelo Miranda deixa herança pesada. Agora, o neto João Henrique Catan articula candidatura ao governo em 2026, com discurso radical, currículo vazio e uma sombra que ele insiste em ignorar.

A história política de Mato Grosso do Sul conhece bem o sobrenome Miranda. Marcello Miranda Soares governou o estado entre 1983 e 1987 e deixou um rastro de denúncias, processos e condenações. Agora, quase quatro décadas depois, seu neto quer ocupar o mesmo cargo. O deputado estadual João Henrique Catan (PL-MS), 37 anos, confirmou pré-candidatura ao governo em 2026. O convite partiu do NOVO, num movimento que escancara a fragilidade das alianças da direita no estado e a falta de nomes com densidade política para enfrentar as urnas. Mas a questão vai além da matemática eleitoral: Catan carrega um sobrenome que, para muitos eleitores, ainda não foi devidamente explicado.

O Avô e as Marcas na Justiça Marcelo Miranda Soares foi condenado em 2009 pelo Tribunal Regional Eleitoral de MS por corrupção eleitoral. A pena: três anos e quatro meses de reclusão, convertidos em multa. A acusação? Distribuição de benefícios irregulares para comprar votos. Um padrão que, segundo investigações à época, revelava um governante mais interessado em preservar redes de influência do que em governar. Mas não parou por aí. Em 2012, Miranda foi demitido do cargo de superintendente do DNIT em MS após o Ministério Público Federal identificar sobrepreço de R$ 216 mil em contratos de obras. As suspeitas incluíam fraudes em licitações e desvios em pavimentações. Ele negou. A exoneração, assinada pelo então ministro dos Transportes, falou mais alto.

O Neto: Discurso Radical, Realidade Anêmica João Henrique Catan foi eleito deputado estadual em 2018 com 11 mil votos. Em 2022, subiu para 25,9 mil. O crescimento, porém, não veio acompanhado de densidade legislativa. Seu mandato é marcado por gestos performáticos e pautas de costumes. Em 2023, causou repulsa ao citar e exibir em plenário o livro Mein Kampf, de Adolf Hitler. A justificativa de que criticava as estratégias do ditador e não impediu a percepção de que o parlamentar flerta perigosamente com o extremismo.

Participar de sessões remotas da Assembleia Legislativa em estandes de tiro virou símbolo de um mandato que prioriza a militância armamentista em detrimento de debates estruturantes. Saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico: temas que não encontraram eco relevante na atuação do deputado.

O Risco da Repetição Catan critica os rumos do PL e cobra que o partido “entenda as sinalizações das urnas”. Mas sua própria trajetória sugere que o único sinal que ele parece disposto a seguir é o da herança familiar. A política sul-mato-grossense não é propriedade privada de clãs. E a população do estado não tem a obrigação de tolerar mais um capítulo de uma novela marcada por corrupção, ineficiência e discursos vazios. Catan ainda pode tentar se apresentar como “nova política”. Mas seu sobrenome, seu currículo e suas escolhas públicas contam outra história. E essa história, para muitos, já deu o que tinha que dar.

Veja mais:

WhatsApp Image 2021-05-07 at 18.20.12