Advogado e empresário recentemente se lançou pré-candidato ao Senado pela sigla.
Roberto Oshiro, advogado, empresário e diretor-secretário da ACICG, acaba de anunciar sua pré-candidatura ao Senado pelo partido Novo. A legenda, conhecida pelo discurso liberal radical e pela aversão ao “velho jeito da política”, agora serve de abrigo para um político cuja trajetória parece um caleidoscópio de bandeiras. Mas até que ponto a mudança de cores representa convicção — ou puro oportunismo?
A memória de Campo Grande não é curta. Quem viu Oshiro se lançar pelo REDE, partido de esquerda ambientalista, testemunhou seu primeiro flerte com o espectro progressista. Na eleição municipal passada, porém, o então candidato a vice na chapa de Rose Modesto (UNIÃO) — que recebeu apoio explícito da esquerda — aprofundou a confusão ideológica. Como um político consegue orbitar o ambientalismo de Marina Silva, a centro-direita de Rose Modesto, o apoio petista e agora o ultra-liberalismo do Novo?
A resposta pode estar num vídeo viral que expõe as entranhas do próprio partido que Oshiro agora abraça. Guto Scarpanti, presidente estadual do Novo, sem papas na língua, detonou o novo aliado: “O Oshiro é um bosta, um zero à esquerda na política. Até do PT ele já foi.” A frase, carregada de desprezo visceral, não é apenas um xingamento pessoal. É um diagnóstico. Scarpanti, ao chamá-lo de “zero à esquerda”, faz um trocadilho infame: Oshiro começou à esquerda e, para o dirigente do Novo, nada de relevante produziu — a não ser mudar de camisa.
O vídeo rasga o verniz da “nova política” e revela o que muitos já desconfiavam: Roberto Oshiro não parece mover-se por princípios, mas por conveniência eleitoral. Num país que anseia por representatividade ideológica, a metamorfose ambulante vira caricatura. Oshiro quer ser senador, mas não consegue responder honestamente: afinal, quem é Roberto Oshiro? Até seus pares do Novo dizem, em alto e bom som, que ele é apenas um resto de tudo — um resto de esquerda, um resto de direita, um resto de carisma.
O impacto desse vídeo não está na grosseria de Scarpanti, mas na sinceridade brutal de um aliado de partido. Se nem quem o recebe acredita nele, por que o eleitor acreditaria?
Campo Grande merece senadores com lastro, não com roteiro. E Oshiro, enquanto não decidir se foi, é ou será, continuará sendo exatamente o que Scarpanti disse: um zero. Resta saber se à esquerda, à direita — ou no esquecimento.









