Agora: Flávio Dino sacrifica a classe de juízes (em sua maioria digna) para limpar a honra dos desonrados do Supremo

Flávio Dino tenta reeducar o Judiciário brasileiro, mas quem precisa disso é só o STF.

Não, ministros, o Judiciário brasileiro não está em crise! Vossas excelências são a crise.

A maioria esmagadora dos juízes brasileiros não recebe acima do teto constitucional. A maior parte da magistratura nacional vive distante dos holofotes, da influência política e dos privilégios frequentemente associados ao topo do Judiciário.

São homens e mulheres que estudaram anos, enfrentaram concursos rigorosos e dedicam suas vidas à aplicação da lei com seriedade, discrição e compromisso institucional. São esses magistrados que sustentam diariamente o funcionamento da Justiça brasileira, longe das disputas de poder e das conveniências políticas.

O Judiciário brasileiro não está em crise por causa dos juízes de carreira.

Não, ministros, a crise não está na base.

A crise está na cúpula, que transformou o equilíbrio da Justiça em instrumento de protagonismo político, que exige sacrifícios de magistrados comprometidos enquanto preserva privilégios no topo, e que fala em moralização sem antes aplicar a si mesma o rigor que impõe aos demais.

O desgaste da imagem do Judiciário perante a população não foi causado pelos juízes que trabalham silenciosamente nos estados e comarcas do país. Não foi provocado por aqueles que exercem a magistratura com responsabilidade, técnica e respeito à Constituição.

O desgaste nasceu no topo.

Nasceu quando parte da cúpula do Judiciário abandonou a discrição esperada de um magistrado para ocupar o centro do debate político nacional.

Nasceu quando decisões passaram a ser percebidas mais pelo impacto político do que pela coerência jurídica.

Nasceu quando ministros passaram a defender medidas moralizantes para os outros, mas não demonstraram a mesma disposição para enfrentar privilégios e excessos dentro da própria estrutura superior do Judiciário.

É aí que está a contradição que revolta a magistratura e confunde a sociedade: enquanto juízes de carreira, que não vivem de privilégios e não exercem militância política, são colocados sob crescente pressão, a cúpula permanece blindada, cercada de poder, prestígio e influência.

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