Mensagens mostram auxiliares do ministro agradecendo apoio de instituto que monitorava redes para o TSE.
Minutos após a confirmação da vitória de Lula em 30 de outubro de 2022, o gabinete paralelo do ministro Alexandre de Moraes celebrou o resultado, conforme mostrado pela Revista Oeste. Mensagens em um grupo com integrantes do Instituto Democracia em Xeque, parceiro do TSE no monitoramento de redes, mostram agradecimentos e comemorações.
Às 20h07, Fabiano Garrido, do instituto, escreveu: “trabalho incansável em defesa da democracia”. Marco Antônio Vargas, então juiz-auxiliar de Moraes, respondeu: “Muito obrigado pelo trabalho de vocês, sem o qual não conseguiríamos superar a desinformação”. Em seguida, Vitor de Andrade Monteiro, assessor da Secretaria-Geral da Presidência do TSE, reforçou: “Muito obrigado por todo apoio nessa tarefa tão difícil que é combater a desinformação”.
A última mensagem foi de Beto Vasques, do Democracia em Xeque: “Viva a Justiça Eleitoral. Viva a Democracia. Viva o povo soberano. Viva o Brasil!”. Cerca de uma hora depois, Vasques divulgou um “boletim extraordinário” sobre a vitória de Lula, mencionando a comemoração da chamada “frente ampla pela democracia” e destacando a cobertura de veículos de direita. Ele encerrou afirmando que “cabeças da extrema direita” estavam em silêncio.
As mensagens também mostram a atuação do grupo no monitoramento de redes sociais. Thiago Rondon, analista colaborador do TSE, pediu que o Democracia em Xeque rastreasse “discursos perigosos” relacionados a caravanas do 7 de Setembro. Em outra mensagem, solicitou a inclusão de termos ligados às eleições e a ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso.
O instituto monitorava plataformas como X, Telegram e Gettr, enviando relatórios frequentes sobre publicações que citavam o TSE e o STF. Outro parceiro, a empresa Palver, também participou do rastreamento. Em seus relatórios, apareciam críticas a Lula, a Moraes e ao sistema eletrônico de votação.
As informações reveladas agora reforçam denúncias anteriores sobre a atuação paralela no Judiciário, já expostas em reportagens conhecidas como Vaza Toga, publicadas pela Folha e depois aprofundadas por apurações de David Ágape e Eli Vieira.









