O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sergio Marcolino Longen, figura como réu em ação penal que tramita na Justiça de Roraima por suposto crime contra as relações de consumo. A denúncia também atinge a empresa Semalo Industria e Comercio de Alimentos, da qual Longen é proprietário.
A ação foi proposta pelo Ministerio Publico de Roraima, por meio da Promotoria de Justiça do Consumidor e da Cidadania, após uma consumidora relatar ter encontrado pedaços de arame dentro de uma embalagem de “jupoca” (pipoca doce) produzida pela indústria sul-mato-grossense.
Segundo os autos, a compra ocorreu em 2 de agosto de 2013, em um supermercado de Boa Vista. A cliente adquiriu três pacotes do produto. Ao abrir uma das embalagens, teria percebido a presença de fragmentos metálicos misturados ao alimento.
Embora o fato seja de 2013, o andamento judicial ainda gera repercussão pelo peso institucional do nome envolvido. Longen não é apenas empresário do setor alimentício, mas presidente da Federação das Industrias de Mato Grosso do Sul, entidade que representa um dos principais pilares econômicos do Estado.
A denúncia trata de possível infração prevista no Código de Defesa do Consumidor, que responsabiliza fabricantes por colocar no mercado produtos impróprios ou que ofereçam risco à saúde.
Até o momento, o fato de o empresário figurar como réu não significa condenação. No ordenamento jurídico brasileiro, a condição de réu apenas indica que a denúncia foi aceita pela Justiça e que há elementos mínimos para a abertura da ação penal, cabendo à defesa apresentar suas argumentações e provas.
Casos envolvendo contaminação ou presença de corpos estranhos em alimentos atingem diretamente um dos setores mais sensíveis da economia: a indústria alimentícia. A legislação brasileira é rigorosa quanto ao controle sanitário e à responsabilidade do fabricante sobre a qualidade do que é colocado nas prateleiras.
Para um Estado como Mato Grosso do Sul, cuja economia depende fortemente da produção industrial e agroindustrial, episódios dessa natureza levantam debate sobre fiscalização, controle de qualidade e rastreabilidade de produtos.
Ao mesmo tempo, o caso reforça um princípio essencial do livre mercado defendido por setores conservadores: responsabilidade individual e empresarial. Produzir com qualidade, garantir segurança ao consumidor e responder judicialmente quando houver questionamentos são pilares de um ambiente econômico sério e confiável.
Até o momento, a reportagem indica que o processo segue seu curso regular na Justiça de Roraima. A defesa de Sergio Longen e da empresa tem direito ao contraditório e à ampla defesa, podendo contestar os fatos, a materialidade da acusação e eventuais falhas na cadeia de comercialização ou armazenamento.
Em um país onde o ativismo judicial e a politização de temas empresariais muitas vezes contaminam o debate público, é fundamental que o caso seja analisado sob critérios técnicos e provas objetivas — não sob julgamento antecipado.
O desfecho dependerá da análise do Judiciário. Enquanto isso, o episódio serve como alerta para o setor produtivo: reputação institucional se constrói ao longo de décadas, mas pode ser colocada à prova por um único episódio que atinja o consumidor final.









