O Patinho Feio: depois de ser derrotado nas urnas, Contar perde o comando do PRTB em MS

A direção nacional do PRTB dissolveu diretórios estaduais e municipais e com isso retirou o ex-deputado estadual Capitão Contar do comando do partido em Mato Grosso do Sul. A sigla vive uma disputa conturbada após a morte de seu fundador, Levy Fidelix.

O motivo do novo imbróglio é a não prestação de contas da campanha eleitoral de 2022. No entanto, em MS recai a suspeita de infidelidade por parte de Contar, que vem flertando com o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Pollon se torna pedra no coturno de Contar

Já não é de hoje que o ego inalado tem sido o principal adversário da direita sul-mato-grossense. Embates que ficaram marcados como o de Soraya contra Rodolfo, assim como Cel. David e os “caroneiros do extinto PSL” marcaram a curta vida política da direita no Estado.

Essa energia sabotadora que os rodeia, entregou a eleição para Eduardo Riedel (PSDB), quando na época, o atual governador contou com o apoio de Tereza Cristina (PP) e parlamentares do PL como Rodolfo Nogueira e Loester Trutis. Esse racha deixou o Capitão Contar isolado na direita, onde na época, contou com o apoio de João Henrique Catan (PL) e Marcos Pollon (PL).

Porém como um “virus”, a vaidade  a direita do Estado deve rachar novamente nas eleições municipais. Na capital, os bastidores já comentam sobre a mobilização de parte dos aliados do Capitão Contar contra os do Deputado Federal Marcos Pollon. Segundo fontes, o ataque não é direto, mas aliados do Capitão estariam propagando que ele é o candidato mais forte, mesmo Pollon, sendo o campeão de votos da última eleição. 

Além disso, o que tem incomodado Contar, é o fato de Pollon não ser um “caroneiro” e que o parlamentar tem acesso direto à família Bsonaro. Marcos Pollon que sempre foi um ideólogo representante da frente armamentos no Brasil, tem grande admiração e ligação com Eduardo Bolsonaro (PL), e isso preocupa o ex-parlamentar.

Além disso, Contar mesmo com o apoio declarado de Bolsonaro, foi surrado no segundo turno por Eduardo Riedel, e essa derrota tem custado a credibilidade do capitão para a eleição municipal.

Outro fator que pesa contra Renan Contar é seu partido, o PRTB, que teve uma cassação de chapa na última eleição. Por conta disso, o Deputado Estadual eleito Rafael Tavares, irá perder o seu mandato. Além disso fontes ligadas à Tavares, afirmam que as relações do mesmo com a esposa de Contar estão bem abaladas e que tanto o parlamentar quanto Iara Contar teriam jogado algumas “cartas na mesa” que poderiam complicar ambos os lados.

Com tudo, a falta de credibilidade em gerir um partido que ficou na família Contar seria outro agravante para afastar possíveis candidatos para o Legislativo municipal.

Perto de completar um ano para as eleições na Capital, o clima já se mantém ameno entre as alas ideológicas da direita, e esse excesso de vaidade e ego pode custar para os conservadores de Campo Grande.

Contar segue os mesmos passos de Odilon

Existe um ditado na política, que mesmo que não oficial, é de conhecimento e entendimento de todos. “Manda quem tem cargo”, e por mais popular ou aclamado que qualquer político tenha sido a regra vale para todos. 

Após ter sido o Deputado Estadual mais votado na eleição passada e com isso ter se legitimado como candidato a Governador, Capitão Contar, tem vivido na pele o peso de ser Derrotado em uma eleição. O ex-deputado que contou até com o apoio do ex-presidente Jair Boldonaro (PL) na virada do primeiro para o segundo turno, o que o levou a virar o turno na frente, foi esmagado no segundo turno e isso custou caro.

Hoje no PRTB, Renan Contar, tem namorado ir para o PL, o partido está sob o comando do novo Deputado mais votado, Marcos Pollon, que tem sinalizado positivamente para a ida do ex-parlamentar para sigla.

Entretanto, o fato de não ser mais deputado tem sido o grande obstáculo para Renan conseguir concorrer ao pleito de 2024, como candidato a prefeito pelo PL. 

Esse entrave tem demonstrado a fragilidade do Capitão no cenário político atual e relembrado outra carreira desastrosa que viveu um sobe e desce gigantesco em sua popularidade.

Até mais que Contar, o ex-Juiz Federal Odilon de Oliveira, chegou a ganhar filme e até documentário contando sobre sua história. Altamente popular e reconhecido, o ex-juiz, saiu desmoralizado da eleição de 2018. Mesmo tendo uma derrota por poucos votos, diferente de Contar que perdeu por ampla diferença. 

Assim como o Capitão, na época, o ex-juiz não conseguiu consolidar sua candidatura para prefeito da Capital e voltou a concorrer ao pleito em 2022 como candidato ao Senado. Segundo interlocutores, o Capitão, também almeja concorrer ao Senado em 2026 e essa semelhança em suas escolhas podem repetir um filme desastroso vivido pelo ex-juiz.

Fora isso, assim como o ex-juiz, o Capitão também demonstrou uma grande falta de capacidade técnica nos debates além de uma oratória limitada e vazia. Ambos saíram péssimos nos debates eleitorais segundo a análise de diversos comentaristas e jornalistas políticos. 

Esse excesso de semelhança tem se tornado uma espécie de “Odilonização” na vida pública de Contar, e se eventualmente o mesmo vier a concorrer e perder, pode se cravar o fim dela.

Patinho Feio

O fato é que nos bastidores Renan Contar tem feito de tudo para conseguir a benção de Marcos Pollon e concorrer como prefeito pelo PL, porém o fator de “não ter mais a caneta”, transforma Contar em um baixo clero na política local e seu possível sucesso em uma disputa eleitoral se torna cada dia mais uma dúvida do que é realidade. A saída para Contar segundo fonte dos bastidores é candidatar a vereador.

A decisão do PRTB Nacional, de analisar a conta de todos os diretórios, atinge também Mato Grosso do Sul, apesar de não haver qualquer gasto de dinheiro público ou fundo eleitoral nas campanhas do estado. 

Segundo contador consultado pelo PRTB Nacional, Luiz Cláudio Silva de Azevedo, “ao verificar as documentações no sistema de divulgação de prestação de contas verificamos pendências nos últimos cinco anos e a não entrega no prazo devido da prestação de contas do exercício 2022. Todos esses fatos serão verificados através de um auditoria em tempo hábil e levada a direção executiva deste partido”.

Além de Capitão Contar, presidente da sigla, foram afastados Elano Holanda de Almeida (1º vice-presidente), Antonio Abel Cardoso Martins (2º vice-presidente), Iara Diniz Contar (1ª secretária), Josiane Paes dos Santos (2ª secretária), Rogers Valerio (1º tesoureiro) e Fabiane Cristine Lopes dos Santos (2ª tesoureira).

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