Pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, posto que ocupou durante oito anos, entre 2007 e 2014, André Puccinelli (MDB), sem o mesmo poder financeiro de outrora, busca ajuda de colegas, empresários e até mesmo de toda a população para financiar seu plano de voltar à vida pública.
No início deste ano, fez uma vaquinha para arrecadar recursos, e, agora, faltando aproximadamente um ano para as eleições, diz que precisará fazer outra.
“Nossa vaquinha não deu um litro de leite sequer. O pessoal diz que vai ajudar, mas isso só lá na frente”, disse o ex-governador, sobre a dificuldade em conseguir recursos para bancar sua pré-campanha.
Apesar disso, Puccinelli tem contado com o apoio dos amigos. Não é difícil ver nos carros de Campo Grande adesivos com a hashtag #voltaandre. Mas apenas isso não basta.
O ex-governador sabe que, além dos recursos do fundo eleitoral e do fundo partidário do MDB, que não é pouco dinheiro, são necessárias também outras fontes de financiamento.
Sobretudo para uma candidatura que tem o objetivo de rivalizar com as demais que estão despontando, como a do secretário de Infraestrutura, Eduardo Riedel (PSDB) – esta já mais estruturada –, e do prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), e da deputada federal Rose Modesto (PSDB), que deve deixar o partido para tentar a disputa de um cargo de eleição majoritária (governadora ou senadora) em 2022.
Destes três citados, Puccinelli só não cogita aliança com Eduardo Riedel, embora respeite a trajetória do atual secretário.
“Ainda não conversei com o PSDB nem com o Reinaldo [Azambuja, governador] por causa de toda essa legislação eleitoral que está tramitando no Congresso, porém, o plano A deles é o Riedel”, analisou Puccinelli.
O ex-governador deixou subentendido que em uma coligação com o PSDB teria, no máximo, espaço para uma candidatura a deputado federal. “Não teria como eu fazer isso, se eu quero majoritária”, insistiu o ex-governador. “O PSDB vai apostar em Riedel, com ele perdendo ou ganhando”, analisou.
Quanto aos outros possíveis candidatos em eleições majoritárias, a conversa de Puccinelli muda. Perguntado sobre uma possível aliança com o atual prefeito de Campo Grande, Puccinelli não deixa espaço para que Marquinhos Trad dispute uma majoritária. “Marquinhos me apoiaria? Estamos conversando para ver o que vai ser feito”, disse Puccinelli.
Já sobre Rose Modesto, o ex-governador diz estar conversando com ela constantemente. “Rose ainda não decidiu o destino dela, porém somos amigos e continuamos conversando”, destacou Puccinelli.
Por falar em conversas, o emedebista tem conversado com lideranças da direita e da esquerda. “Estamos conversando muito com todos, com a ministra Tereza Cristina [DEM], com Simone Tebet [senadora e colega de MDB] e com Vander Loubet [deputado federal pelo PT]”, frisou Puccinelli.
Para André Puccinelli, Tereza, Rose e Simone estariam no que ele chama de seu “time dos sonhos”. Na composição idealizada pelo ex-governador, ele seria o candidato a reassumir a governadoria, Rose Modesto seria sua vice, Simone Tebet seria deputada federal, e Tereza Cristina, senadora.
“Mas todas querem o Senado”, contemporiza André, ao admitir que, neste caso, seu sonho é quase impossível.
Governo Bolsonaro
André Puccinelli também opinou sobre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).
“Eu conheci Bolsonaro, e ele já estava no segundo mandato de deputado federal. Tenho convicção de que ele é sujeito correto e está repleto de boa vontade, porém ele fala muita besteira e está se automutilando”, analisa.
“Ele parece que gosta de ver o circo pegar fogo. Em alguns setores, o governo dele está indo bem, mas em outros está difícil”, complementou.









