Irmã de Marçal Filho tido como ‘guloso’ na corrupção em Dourados, é presa por maus-tratos contra oito cães

O prefeito de Dourados, Marçal Filho, ganhou fama de ser ”voraz” em esquemas de corrupção. Ele se tornou réu por cobrar propinas em emendas quando era deputado federal. 

Segundo a imprensa local, Marçal foi um dos protagonistas na Operação Uragano, deflagrada pela Polícia Federal, por desvio de verba pública envolvendo agentes públicos e empresários. 

A fama do então deputado foi revelada em gravações autorizadas feitas pela investigação. Os demais envolvidos diziam que Marçal era o ‘’pior de todos’’ e ‘’capaz de matar a mãe por dinheiro’’. 

Ainda segundo a apuração da PF, foi dito que o atual candidato cobrava de 10% a 15% dos contratos públicos quando o dinheiro da emenda era indicado por ele. Foram R$ 12 milhões enviados por Marçal para Dourados entre 2008 e 2010. O chamado ”retorno” ao então deputado seria de R$ 2 milhões. 

A ação penal que Marçal responde estava em segredo de Justiça no STF. Quando deixou de ser deputado federal, o caso ”desceu” para a Justiça Federal de Dourados. 

Maus-tratos

A servidora pública Eliane Lopes Pavão, de 51 anos, irmã do prefeito de Dourados (MS), Marçal Filho (PSDB), foi presa em flagrante na noite de terça-feira (17) por maus-tratos a oito cães. A operação de resgate dos animais foi realizada pela Guarda Municipal da cidade após denúncias. O g1 não encontrou a defesa da mulher.

A mulher passou por audiência de custódia nesta quarta-feira (18) e foi solta. Na decisão, o juiz explica que a suspeita colaborou com a investigação e não apresenta risco. Eliane vai cumprir medida cautelares.

g1 entrou em contato com a assessoria da prefeitura do município, que informou em nota que Eliane é irmã adotiva de Marçal.

Operação resgata animais

De acordo com o boletim de ocorrência, os animais estavam em um local com acúmulo de fezes, cheiro forte de urina e sinais de abandono. O espaço apresentava condições sanitárias muito precárias.

Os animais foram resgatados na casa da mulher, na Vila dos Ofícios, e recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

Os animais foram levados para o CCZ para serem examinados. A servidora foi autuada em flagrante e encaminhada para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), onde ficou presa até ser liberada em audiência de custódia.

Depoimento e soltura

Em depoimento à Polícia Civil, Eliane relatou que cuida de animais abandonados há pelo menos oito anos. A mulher explicou que, no período em que ocorreram as denúncias, precisou se ausentar da cidade para viajar até Goiânia. Durante a ausência, afirmou ter deixado os animais sob os cuidados do filho.

Eliane negou que os cães estivessem abandonados, ressaltando que os bichos são regularmente alimentados e medicados.

Durante as diligências, um cão que foi encontrado trancado dentro da casa. À polícia, a mulher explicou que o animal estava fugindo com frequência, motivo pelo qual decidiu mantê-lo amarrado em um dos cômodos da casa, como medida de segurança.

Crime contra animais

Tanto animais silvestres, como animais domesticados são protegidos pela Lei de Crimes Ambientais. A penalidade para quem comete tal crime é de três meses a um ano de detenção para qualquer tipo de animal, a exceção para gatos e cachorros, cuja pena é de dois a cinco anos de reclusão.

A PMA ainda destaca que além da penalidade criminal, o infrator que comete qualquer tipo de maus-tratos contra animais será multado administrativamente em R$ 500,00 a R$ 3.000,00 por animal.

Os animais foram levados para o CCZ para serem examinados. — Foto: Reprodução

Os animais foram levados para o CCZ para serem examinados.

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