Faltou combinar com os russos

A decisão da Anvisa de barrar a importação da Sputnik abriu uma guerra de versões que precisa resolvida imediatamente, talvez numa acareação promovida pelo Congresso Nacional — antes que o Supremo resolva tudo numa canetada.

Não é razoável que a diretoria da agência vete o imunizante baseada na suposição de que ele contenha “certo número de adenovírus replicantes”, só porque a regulamentação russa permite.

Ou que a empresa ateste que o processo de fabricação de um dos componentes da vacina “pode produzir partículas replicantes”, enquanto o próprio Instituto Gamaleya diz que “nenhum RCA foi encontrado em qualquer um dos lotes de vacina produzidos”. 

Os russos dizem que o imunizante vem sendo usado por 62 países, incluindo México e Argentina. Houve um único caso de adenovirose?

Tampouco é tolerável que a União Química, responsável por envasar a Sputnik no Brasil cometa a gafe de sugerir que a Anvisa possa ter testado uma amostra falsificada, sendo que a agência não faz testes, apenas analisa a documentação enviada pelos fabricantes.

Será que a turma da farmacêutica brasileira faz ideia do que está falando ou do que irá produzir?

Há um lobby comercial e político poderoso envolvendo o fornecimento de vacinas em todo o mundo e o Brasil não está imune a ele, muito menos a Anvisa. Por isso é necessária transparência total sobre a aprovação ou não de qualquer vacina.

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