Crime Organizado: Narcotráfico financiou o Banco Master de Vorcaro

O escândalo do Banco Master, considerado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como possivelmente a “maior fraude bancária do país”, ganhou um novo e alarmante capítulo . Mais do que um esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção institucional e intimidação de jornalistas, as investigações da Polícia Federal e reportagens recentes apontam para uma conexão ainda mais sombria: a suspeita de que recursos do narcotráfico internacional foram utilizados para financiar a aquisição e a estruturação do banco comandado por Daniel Vorcaro .

No centro dessa teia está o nome do narcotraficante espanhol Oliver Ortiz de Zarate Martin, condenado no Brasil por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Preso em 2013 em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro, Ortiz é apontado por uma fonte do mercado financeiro, em reportagem do ICL Notícias, como um dos investidores ocultos por trás da operação que levou Daniel Vorcaro a comprar o Banco Máxima em 2017, instituição que mais tarde seria rebatizada como Banco Master .

De acordo com a apuração, que teve acesso a documentos de transações financeiras e registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a ligação entre o traficante e o banqueiro foi costurada por um operador do mercado financeiro: Benjamim Botelho de Almeida .

O Operador e os Fundos de Investimento

https://googleads.g.doubleclick.net/pagead/ads?client=ca-pub-2979575619479637&output=html&h=280&adk=1389430651&adf=2690020701&w=1085&fwrn=4&fwrnh=100&lmt=1773756738&rafmt=1&armr=3&sem=mc&pwprc=3764841021&ad_type=text_image&format=1085×280&url=https%3A%2F%2Fcorreiocampograndense.com.br%2F2026%2F03%2F14%2F24279%2F%3Ffbclid%3DIwY2xjawQmQIhleHRuA2FlbQIxMABicmlkETFPVlRuaXZEdlZGQXZJbnM2c3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHqPUVBWri_7w5Su-OkDvPtwKamRkcs8dugQdOov0wlV52vQgKaiXgBBrRGxH_aem_QYUVzZo4lhYzGjasn4yeGQ&fwr=0&pra=3&rh=200&rw=1084&rpe=1&resp_fmts=3&aieuf=1&aicrs=1&fa=27&uach=WyJXaW5kb3dzIiwiMTkuMC4wIiwieDg2IiwiIiwiMTQ2LjAuMzg1Ni42MiIsbnVsbCwwLG51bGwsIjY0IixbWyJDaHJvbWl1bSIsIjE0Ni4wLjc2ODAuODAiXSxbIk5vdC1BLkJyYW5kIiwiMjQuMC4wLjAiXSxbIk1pY3Jvc29mdCBFZGdlIiwiMTQ2LjAuMzg1Ni42MiJdXSwwXQ..&abgtt=6&dt=1773756738565&bpp=1&bdt=1272&idt=2&shv=r20260312&mjsv=m202603120101&ptt=9&saldr=aa&abxe=1&cookie=ID%3Db950faa2f702498d%3AT%3D1765816681%3ART%3D1773756429%3AS%3DALNI_MbxPeaPU5iNMCbDUWuXWQoK22gm3Q&gpic=UID%3D000012aae4fc8503%3AT%3D1765816681%3ART%3D1773756429%3AS%3DALNI_MYzUXz4PsK5OeFWawcT1ThSWgPfkA&eo_id_str=ID%3Da77d2cde5f260641%3AT%3D1765816681%3ART%3D1773756429%3AS%3DAA-AfjYK8w-NqEo7da2MP0N1-1tY&prev_fmts=0x0%2C1085x280%2C1200x280%2C1085x280%2C1085x280%2C1085x280&nras=6&correlator=6890719028822&frm=20&pv=1&u_tz=-180&u_his=1&u_h=864&u_w=1536&u_ah=816&u_aw=1536&u_cd=32&u_sd=1.25&dmc=8&adx=196&ady=2628&biw=1513&bih=732&scr_x=0&scr_y=0&eid=31097123%2C42531706%2C95378429%2C95383700%2C95384194%2C95384536%2C95385283%2C42533293%2C95384928%2C95379824&oid=2&pvsid=7266899889959246&tmod=528616754&uas=0&nvt=1&ref=https%3A%2F%2Fl.facebook.com%2F&fc=1408&brdim=0%2C0%2C0%2C0%2C1536%2C0%2C1536%2C816%2C1528%2C732&vis=1&rsz=%7C%7Cs%7C&abl=NS&fu=128&bc=31&bz=1.01&pgls=CAEaBTYuOS40~CAEQBRoGMy4zNS43&num_ads=1&ifi=7&uci=a!7&btvi=5&fsb=1&dtd=32

Benjamim Botelho, ex-funcionário do Banco Garantia e apontado pela Polícia Federal como “sócio oculto” de Vorcaro nos Estados Unidos, era o principal executivo do Grupo Aquilla. Por meio de um fundo administrado por empresas ligadas a Botelho — a Foco DTVM (atual Sefer Investimentos) e a Aquilla Asset — que o dinheiro de Ortiz teria sido injetado no negócio .Documentos de 2015 mostram que Oliver Ortiz figurava como cotista de fundos administrados pelo Grupo Aquilla, que anos depois participaram ativamente da compra do Banco Máxima.

A fonte da reportagem afirma que os recursos usados tanto nos fundos imobiliários da Sefer quanto na aquisição do banco seriam “oriundos de lavagem de dinheiro do traficante Oliver Ortiz” .Essa não é a primeira vez que Benjamim Botelho aparece ligado a irregularidades na instituição. Ele já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal por gestão fraudulenta do Banco Máxima entre 2014 e 2016, em uma operação que simulava a valorização do banco com recursos do próprio banco, maquiando sua real situação financeira .

A Estrutura do Crime: Quatro Núcleos de Atuação

A suspeita de infiltração do crime organizado no caso Master vai além do financiamento inicial. A Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, descreveu a existência de uma organização criminosa estruturada em quatro núcleos principais, que iam desde as fraudes financeiras até a cooptação de servidores do Banco Central e a intimidação de adversários por um grupo paramilitar apelidado de “A Turma”, liderado por um indivíduo conhecido como “Sicário” .

Dentro desse esquema, a gestora Reag Investimentos, também ligada ao conglomerado de Vorcaro, tornou-se um elo crucial com o crime organizado paulista. A Reag já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto, que desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), fintechs e fundos de investimento .

A CPI do Crime Organizado no Senado investiga justamente essa conexão, mirando o que seria um “braço financeiro do PCC na Faria Lima” e a utilização de fundos de investimento para ocultar a origem ilícita de recursos .

Repercussão e InvestigaçãoA denúncia sobre o dinheiro do narcotráfico já chegou às esferas políticas. Integrantes da CPI do Crime Organizado defendem o aprofundamento das investigações sobre o Banco Master e suas conexões com esquemas de lavagem de dinheiro.

O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que a informação se enquadra no escopo dos trabalhos, que visa compreender a infiltração do crime organizado no poder público e no sistema financeiro .

O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) classificou o escândalo como um “obscuro novelo” que, ao ser puxado, pode trazer ainda mais surpresas, especialmente se ficar demonstrado que o banco serviu para lavar dinheiro do narcotráfico .Procurados, o Banco Master não respondeu aos questionamentos. Benjamim Botelho e Oliver Ortiz também não se manifestaram até o momento .

O caso Master, que já expôs a promiscuidade entre o setor financeiro, o alto escalão da política e o Judiciário, agora escancara a preocupante porta de entrada para o crime organizado no coração do sistema financeiro nacional, levantando um alerta máximo sobre a captura das instituições por esquemas que misturam colarinho branco e violência do tráfico.

WhatsApp Image 2021-05-07 at 18.20.12