Daniel Vorcaro estaria irritado, não com o Centrão, que ele trata como clube de velhos amigos intocáveis, mas com o Palácio do Planalto e especialmente com o pai Lula, que teria lhe virado as costas depois de anos de portas abertas.
A simples hipótese de uma delação soa como terremoto institucional: o banqueiro conhece corredores, jantares, contratos e favores suficientes para fazer tremer metade da República. O silêncio dele, por enquanto, vale ouro; a fala, valeria dinamite. É revelador que o alvo da ira não seja o bloco parlamentar que sempre lhe serviu de escudo, mas o coração do desgoverno que o recebeu com tapete vermelho.
No Brasil dos negócios com sobrenome, amizade vira seguro contra cadeia, até o dia em que o amigo se sente traído.
Se Vorcaro resolver abrir a boca, muita autoridade que hoje posa de vestal terá de explicar por que o banco virou ponte entre o cofre público e os palácios do poder.









