O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vem sendo nos últimos meses alvo de constantes críticas relacionadas à sua postura autoritária. Devido aos seus posicionamentos, ele se tornou o ministro mais impopular da Suprema Corte brasileira.
Alexandre de Moraes já passou por diversas funções durante a sua carreira, como, por exemplo, promotor, conselheiro, consultor e secretário em diversos cargos no Estado de São Paulo, além de professor universitário, ministro da Justiça e, atualmente, ministro do STF.
No ano anterior de assumir o cargo na Suprema Corte, em uma reportagem da Veja de 2015, foi constatado que Moraes estava envolvido em 123 processos da empresa Transcooper.
A cooperativa está implicada em diversas investigações de lavagem de dinheiro e corrupção de empresas que envolvia até a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em resposta, Moraes alegou que “renunciou a todos os processos que atuava como um dos sócios do escritório de advocacia” para poder ingressar, no mesmo ano, na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Em 2016, a esposa do ex-presidente Michel Temer foi vítima de um ataque hacker, através do qual informações vazadas poderiam “jogar na lama” o nome de Temer. Após o ataque, prontamente a Secretaria de Segurança Pública de Moraes desenvolveu uma força-tarefa para tratar do caso.
Ganhando a confiança de Temer, no mês seguinte à resolução do caso, Moraes foi indicado para assumir o Ministério da Justiça. Em menos de um ano na pasta, em fevereiro de 2017, Michel Temer indica Alexandre de Moraes ao STF.
A vaga que Moraes ocuparia na Suprema Corte foi aberta após o acidente aéreo do então ministro Teori Zavascki. Para poder assumir a vaga, solicitou a sua desfiliação do PSDB, o mesmo partido do atual governador de São Paulo, João Doria.
Durante a sabatina para assumir o cargo, foi questionado se possuía “a isenção necessária para ser revisor da lava-jato, tendo sido ministro desse governo: ministro da Justiça.”
“Cinco colegas seus, do ministério, estão sendo investigados. […] O senhor que prestou um serviço para candidatura do senador Aécio Neves, e recebeu R$ 360 mil na última campanha eleitoral. O senhor que advogou para Eduardo Cunha”, alegou um dos senadores, durante a sabatina, questionando a integridade de Alexandre de Moraes.
Em resposta, Alexandre disse se julgar “absolutamente capaz de atuar com absoluta imparcialidade, com absoluta neutralidade, dentro do que determina a Constituição.”
Em 2019, Alexandre de Moraes ordenou que uma reportagem da revista Crusoé fosse retirada do ar. A matéria tratava da declaração de Marcelo Oderbrecht, que citava o ministro do STF Dias Toffoli como um dos envolvidos no esquema de corrupção.
Segundo a delação, o ministro Dias Toffoli foi mencionado como o “amigo do amigo do meu pai”, se referindo à amizade de Lula com Toffoli e com o pai de Oderbrecht.
Toffoli tentou se justificar, comentando que o conteúdo da matéria eram “mentiras” e “ataques” divulgadas por pessoas que querem “atingir as instituições brasileiras”. E solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que apurasse o caso.
Além de retirar a matéria do ar, Moraes estipulou multa diária de R$ 100 mil, em caso de descumprimento, e ordenou que a Polícia Federal ouvisse os responsáveis do site e da revista em até 72 horas.
O ministro Alexandre de Moraes, com relação aos inquéritos conhecidos como “Fake News” (IP 4781) e “Atos antidemocráticos” (IP 4828), também chegou a usar uma perícia forjada em um inquérito que não definia quais os crimes e fatos estavam sendo investigados e que não indiciou qualquer um dos investigados.
O jornalista e comentarista político Caio Coppolla resolveu lançar um abaixo-assinado pedindo o impeachement do ministro Alexandre de Moraes, para que seja pautado no Senado Federal, pelo presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco.
O abaixo-assinado, que será entregue em mãos ao Presidente do Senado, foi lançado na manhã dessa segunda-feira (15) e até agora já conta com quase dois milhões e meio de assinaturas.









