Economista aponta para cenário de consumo “forte” em cerca de três meses, enquanto Fecomércio aponta para aprendizados e legados que pandemia deve deixar em Mato Grosso do Sul.
Os desafios da pandemia de Covid-19 em Mato Grosso do Sul também foram sentidos de maneira severa na economia e no comércio do estado. Especialistas apontam, no entanto, que com a vacinação contra a Covid acelerada – o estado é líder em porcentagem da população vacinada, com quase 10% – e a perspectiva de uma melhora na situação do coronavírus no estado, o cenário pós pandemia já é possível de ser visualizado e deve ser “de muito consumo”.
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É o que afirma Michel Constantino, PhD em economia. Segundo ele, o mercado vem apresentando elementos acumulados desde 2020 que fazem com que a situação econômica deva melhorar consideravelmente em um cenário próximo. “Tivemos consumo retraído, produção retraída, poupança aumentando a taxa. Mesmo tendo um cenário negativo no geral, quem já tinha dinheiro ou investimentos, acabou guardando, pensando “onde vou poder investir quando a situação melhorar”. Isso se acumula e depois num cenário positivo de pós pandemia, tudo vem com força”, afirma.
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Constantino explica que a macroeconomia possui dois pontos fundamentais: a taxa de juros, que está baixa e parada e o dólar, que está alto, com as pessoas retraindo o consumo. Agora, há um outro elemento em pauta, a vacinação. “Com ela acelerando, como no caso de Mato Grosso do Sul, calculamos que nos próximos três meses devemos ao menos triplicar o número de pessoas vacinadas. Isso deve gerar queda de internações, mortes, começando a controlar a pandemia e consequentemente liberando comércio e voltando a girar a economia, com consumo e investimentos”, aponta o especialista.
Auxílio
O economista aponta que no ano passado o governo federal destinou o auxílio renda para mais 60 milhões de brasileiros – pelos dados da PNAD Covid-19 medida pelo IBGE – e mais de 30% da população saiu da extrema pobreza com esse benefício. “Esse resultado resultou em maior demanda para as empresas, além disso o governo permitiu garantir empregos com as medidas de ajuda no pagamento parcial de salários e negociação de regime trabalhista”.
Ele diz que essas ações injetaram quase R$ 500 bilhões na economia em 2020. “Agora o governo e o legislativo aprovaram a PEC emergencial, que também vai destinar um novo auxílio com aporte de R$ 44 bilhões, e, além disso, liberação do FGTS e 13º de aposentados prevê mais R$ 40 bilhões na economia brasileira”, comenta.
Constantino avalia que além do governo federal, um estímulo importante para a economia local, é a renda extra que estados e municípios estão planejando para compensar os efeitos das restrições de circulação e adiantamento de feriados.
“Em Mato Grosso do Sul, além do vale renda do Governo do Estado, temos duas iniciativas em curso: Governo do Estado como novo auxílio extraoficial de R$ 200,, e a prefeitura de Campo Grande que prevê a criação de programa local de repasse de renda de R$ 300,, onde, projeto de Lei foi protocolado na Câmara de Vereadores que autoriza a Prefeitura de Campo Grande a criar auxílio emergencial municipal para famílias carentes que não conseguiram se cadastrar no benefício do Governo Federal”, analisa.
Constantino diz que essas iniciativas locais aumentam a renda e consequentemente o consumo, essa faixa populacional que recebe o auxílio é a maior no país, e apesar dos baixos recursos per capita, o montante é responsável por 40 a 50% do consumo nacional.
“Pesquisas mostram que de R$100 vindos de auxílio, R$ 25 foram usados para aquisição de bens como eletrodomésticos, móveis ou ainda roupa e serviços, e R$ 75 foram usados para compras de bens essenciais, dívidas em atraso ou itens do dia a dia”, ressalta.
Setor produtivo
O presidente da Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turismo (Fecomércio-MS), Edison Araújo, também indica para um cenário possivelmente melhor do comércio em um futuro próximo. “Costumamos dizer que nada mais será como antes da pandemia, mas podemos trabalhar para que seja melhor. Muitas das tendências devem permanecer, como vendas a distância, entregas a domicílio, home office, marketing e conteúdos digitais. A busca por hábitos saudáveis e apelo sentimental do distanciamento, além da busca das tecnologias devem permanecer no comportamento do consumidor”, conta.
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Araújo também comenta sobre os aprendizados que a pandemia trouxe aos empresários. “Muitos negócios foram abertos como alternativa de renda e aproveitando as necessidades da população em meio ao distanciamento social. Efetivamente nos aproximamos mais da economia 4.0, de modo a utilizar mais a tecnologia e o comportamento do consumidor para a tomada de decisões sobre novas estratégias”, explica.
É exatamente sobre estratégias para atender o consumo que o economista Michel Constantino afirma haver de ser o principal foco dos empresários no cenário próximo.
“O dólar deve cair, então as coisas ficam mais baratas. E aí o empresário precisa pensar em estratégias. Por exemplo, a bicicleta foi um meio de transporte que teve muito crescimento nas vendas durante a pandemia, mas não teve produção para isso, pois não houve estratégia. Precisamos que os empresários entendam o que voltará a ser consumido nesse período para ter produção, marketing e mídia, para o produto ser lembrado e consumido”.
O presidente de uma das principais instituições representativas do setor produtivo sul-mato-grossense a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, afirma que a esperança de melhora é grande. “Entendo que todos os empresários agora precisam se reinventar e vamos, dentro do possível, com o sistema indústria, colaborar para que a gente supere esta fase da saúde e, depois, a fase econômica que virá a seguir”.
Lagoa Misteriosa, em Bonito (MS). Turismo deve ser um dos setores com maior aumento no cenário pós pandemia — Foto: Iago Bernardo/Arquivo pessoal
O turismo é outro setor que deve ter muito aumento, coloca Constantino. “As pessoas que costumavam viajar, precisaram ficar em casa, gastaram menos. E agora podem usar esse acúmulo para voltar a viajar”, afirma. “Todas essas situações farão parte não do novo normal, mas do novo mercado”, finaliza o economista.https://94c77c3e89d1d0b9c7245e3d118337e4.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Perspectiva
Constantino diz que o empreendedor que melhor se posicionar e elaborar uma estratégia de marketing e comunicação eficiente, irá capturar esta demanda de consumo dada a previsão dos auxílios. “Quem fizer a ação primeiro será lembrado e é fundamental estar na mente do cliente quando ele tiver a intenção de comprar o produto ou serviço. Se você não fizer, seu concorrente poderá fazê-lo”.
Ele aponta que Mato Grosso do Sul, por origem, é um estado resiliente e empreendedor, que apresenta bons índices de emprego, renda, atração de investimentos e mercado internacional. “Somados a isso, vem se destacando pela vacinação e parcerias com outros estados em estratégias de saúde unificadas, temos muitos desafios, mas, com certeza, sairemos melhor no final dessa caminhada”.









