Gilmar usou regra do pacote anticrime para arquivar investigação sobre Aécio

No arquivamento do inquérito sobre Aécio Neves por suposto recebimento de propina em Furnas, Gilmar Mendes citou uma regra inserida por parlamentares no pacote anticrime que dificultou ainda mais a investigação de casos de corrupção.

O texto aprovado pelo Congresso proíbe a delação de fatos que não estejam diretamente ligados ao colaborador e dos quais tenha participado.

No caso de Aécio, as suspeitas de que recebia propina de Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, basearam-se em relatos do doleiro Alberto Youssef e do ex-senador Delcídio do Amaral.

Ambos, porém, disseram em suas delações que apenas “ouviram dizer” que o deputado recebia propina de empresas contratadas pela estatal.

“Pelo que sabe e ouvi dizer, JOSÉ JANENE tinha operações que dividia com o então deputado AÉCIO NEVES em alguns serviços que as empresas prestavam em FURNAS”, disse Youssef em seu depoimento. O doleiro, porém, disse que nunca teve contato com Aécio.

Delcídio, por sua vez, contou sobre uma conversa em que teve com Lula sobre o caso no início de seu governo. O ex-presidente, segundo o senador, chegou a dizer que Dimas Toledo, “pelo jeito está roubando muito”, porque teria recebido pedidos de Janene, do PT e de Aécio para mantê-lo na diretoria de Furnas. O ex-senador afirmou que, “sem dúvida”, Aécio recebia pagamentos de valores ilícitos, mas não deu mais detalhes.

Ao arquivar o caso, Gilmar Mendes disse que a investigação da Polícia Federal não encontrou provas de pagamentos a Aécio.

A Procuradoria-Geral da República afirmou que, apesar de existirem indícios contra o deputado, não havia provas suficientes para denunciá-lo e opinou também pelo arquivamento.

“Essa situação demonstra a absoluta irrazoabilidade da manutenção deste Inquérito, sob pena de ocorrência de constrangimento ilegal. Não se pode coadunar com a duração ilimitada ou desproporcional de investigações, sob pena de se lesionar de forma irreparável a liberdade, a honra e a imagem das pessoas investigadas”, escreveu o ministro, após lembrar que o caso já era investigado pelo menos desde 2009.

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