CPI: Nelsinho Trad foi o único senador de MS a ficar com o governo Bolsonaro

Simone Tebet e Soraya Thronicke estão entre os 31 senadores que querem CPI para investigar corrupção no MEC

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), deve fazer até a próxima semana a leitura do requerimento do pedido para a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar esquema de corrupção no Ministério da Educação (MEC). O pedido foi protocolado nesta terça-feira (28) pelo líder da oposição, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que conseguiu 31 uma assinaturas para a instalação, quatro a mais que o necessário. 

Dos senadores de Mato Grosso do Sul somente Nelsinho Trad (PSD), ficou com o governo Bolsonaro, e não assinou o requerimento. As senadoras, Soraya Thronicke (União Brasil) e Simone Tebet (MDB) – que é pré-candidata à presidência da República, pediram para instalar a CPI para investigar o governo federal.

Para que a CPI seja, de fato, instalada é preciso que o pedido seja lido pelo presidente do Senado, o que deve acontecer nas próximas sessões ordinárias. Depois disso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) verificará se o pedido se enquadra em todos os requisitos de admissibilidade para a criação da comissão.  

É nas próximas semanas que o governo Bolsonaro pretende agir para fazer com que senadores retirem suas assinaturas. Dentre as estratégias estão oferta de cargos, liberação de emendas, dentre outros artifícios.

Há dúvidas se a CPI de fato será aberta em razão da proximidade das eleições. Se ela for instalada, Nelsinho Trad, que é líder do PSD e está mais propenso a ficar com o governo Bolsonaro, deve indicar até quatro integrantes do partido, que tem a maior bancada da Casa, mas que teve apenas uma assinatura entre as 31 do requerimento.  

O caso

A oposição se mobilizou após vir à tona a denúncia sobre a existência de um ‘gabinete paralelo’ no Ministério da Educação, instalado por pastores ligados ao ex-ministro e também pastor Milton Ribeiro.  

A suspeita é de que o esquema tenha envolvido entregas de cargos, pagamentos de propinas em dinheiro e até em barras de ouro, além da publicação de Bíblias com fotos dos pastores e de suas famílias e controle da agenda do MEC pelos religiosos.

Os defensores da CPI pressionam Pacheco a ler o requerimento no plenário e determinar a instalação da comissão até a próxima quinta-feira, 30. “Todos os requisitos estão atendidos. O presidente Pacheco foi claro em dizer que cumprirá a Constituição e o regimento do Senado”, disse Randolfe. “Dois terços dos senadores não serão candidatos e dois terços têm que pegar no serviço, né?.

A prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e a suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na operação que investiga o gabinete paralelo aumentaram a pressão pela instalação da comissão no Senado. Os senadores querem investigar a atuação dos pastores Arilton Moura e Gilmar dos Santos no controle da agenda e do pagamento de recursos do MEC.

Na manhã da última quarta-feira, 22, a Polícia Federal prendeu preventivamente Milton Ribeiro, Arilton, Gilmar e outros dois envolvidos. Eles foram soltos no dia seguinte após decisões judiciais liminares. O presidente Jair Bolsonaro vem defendendo seu ex-ministro em manifestações públicas e diz que a “PF tem autonomia” para investigar. 

Confira a lista dos senadores que assinaram o requerimento para abertura da CPI do MEC:

1. Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

2. Paulo Paim (PT-RS)

3. Humberto Costa (PT-PE)

4. Fabiano Contarato (PT-ES)

5. Jorge Kajuru (Podemos-GO)

6. Zenaide Maia (Pros-RN)

7. Paulo Rocha (PT-PA)

8. Omar Aziz (PSD-AM)

9. Rogério Carvalho (PT-SE)

10. Reguffe (União Brasil-DF)

11. Leila Barros (PDT-DF)

12. Jean Paul Prates (PR-RN)

13. Jaques Wagner (PT-BA)

14. Eliziane Gama (Cidadania-MA)

15. Mara Gabrilli (PSDB-SP)

16. Nilda Gondim (MDB-PB)

17. Veneziano Vital do Rego (MDB-PB)

18. José Serra (PSDB-SP)

19. Eduardo Braga (MDB-AM)

20. Tasso Jereissati (PSDB-CE)

21. Cid Gomes (PDT-CE)

22. Alessandro Vieira (PSDB-SE)

23. Dario Berger (PSB-SC)

24. Simone Tebet (MDB-MS)

25. Soraya Thronicke (União Brasil-MS)

26. Rafael Tenório (MDB-AL)

27. Izalci Lucas (PSDB-DF)

28. Alexandre Giordano (MDB-SP)

29. Confúcio Moura (MDB-RO)

30. Marcelo Castro (MDB-PI)

31. Jarbas Vasconcelos (MDB-PE)

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