Com as portas fechadas em Mato Grosso do Sul com candidatos que se alinham mais à direita e com um clima de ataques constantes de Ciro Gomes (PDT) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PDT no Estado caminha para um voo solo, em que tentará garantir um palanque para Ciro em MS e apoiará, ainda que informalmente, Eduardo Riedel – sendo uma opção para uma linha auxiliar, mais à esquerda, para o tucano.
O apoio a Eduardo Riedel deve ser informal porque ontem os presidentes dos diretórios regional e nacional do PDT, Dagoberto Nogueira e Carlos Lupi, respectivamente, afirmaram que o partido não deverá coligar em eleições estaduais com legendas que tiverem candidatos à Presidência da República.
Dagoberto, porém, não esconde que Riedel é o que mais está aberto a negociações e tem uma boa política.
“Ainda não sabemos como serão as eleições em 2022. A reforma eleitoral ainda está no Congresso Nacional e atualmente estamos estudando todas as possibilidades. Dos candidatos que têm se colocado no Estado, apenas Riedel é o que mais tenho conversado e colocado as propostas na mesa”, disse.
“Não descartamos uma aliança, porém, se ele permanecer no PSDB, ficará bem difícil, pois eles terão um candidato a presidente. No entanto, se ele sair do partido e ainda assim articular com o PSDB, podemos dar apoio à candidatura dele aqui em MS”, completou.
FORA DO RADAR
O PDT, pelo menos por enquanto, não tem colocado no radar de apoio nomes como a deputada federal Rose Modesto (PSDB), uma vez que ela está muito alinhada a Jair Bolsonaro (sem partido), nem o prefeito Marcos Trad (PSD) e o ex-governador Zeca do PT.
“O PDT está conversando com os partidos de esquerda e uma coisa eu digo, o PDT não aposta na candidatura do Zeca do PT para o governo. Assim como não acredito que o Marquinhos Trad (PSD) deixaria a Prefeitura de Campo Grande para concorrer ao governo”, afirmou.
“Eu nem cito apoio a Rose Modesto (PSDB), porque não sei qual será o destino dela e qual presidenciável ela vai apoiar, então é muito arriscado falar sobre política agora”, acrescentou.
APOIO
Diante de várias restrições impostas pela direção nacional do partido, o PDT não nega a dificuldade para montar uma chapa forte em Mato Grosso do Sul.
Se nas eleições passadas o partido teve um candidato a governador – Odilon de Oliveira –, desta vez não deve ter candidato ao governo nem ao Senado, apenas candidatos nas eleições proporcionais, o que dificulta ainda mais a missão de Dagoberto Nogueira de se reeleger para a Câmara dos Deputados.
Se Dagoberto cogita um apoio informal a Eduardo Riedel, embora o partido vete a aproximação com legendas com candidatos à Presidência, ele também não nega a aproximação com nomes como Ricardo Ayache (PSB) e Zeca do PT, caso este último se aventure novamente ao Senado.
“Estamos sondando também o Ricardo Ayache e trabalhamos com nomes altos e com potencial para as próximas eleições, em que o principal foco será a análise de competência do candidato, pois vivemos tempos sombrios e de tensão com o governo Bolsonaro”, disparou.
Comitê Pró-Ciro
O PDT de Mato Grosso do Sul inaugurou o comitê Pró-Ciro nesta quinta-feira (26), em Campo Grande, que contou com a presença do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.
Mencionando as origens, Lupi citou o fundador do partido, Leonel Brizola, e como a sigla aposta na candidatura de Ciro Gomes não como uma terceira via entre a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido), mas com Ciro como a única solução.









